De onde vem o aumento dos lucros da Visa e da Mastercard?

Autor: Estação

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Investigação sobre fraudes por parte das operadoras de cartão de crédito traz tudo o que você precisa saber

Veio à tona, recentemente, o comportamento suspeito de coorporativos das duas gigantes do crédito: Visa e Mastercard. Apesar da evidente rivalidade, essas empresas mantêm um aspecto em comum: uma relação permissiva com companhias que foram acusadas de fraudes.



Escândalo envolvendo supervisor da Mastercard

Paul Paolucci, supervisor do controle de fraudes comerciais da Mastercard, tinha amizades um tanto quanto “peculiares”. Um de seus mais notáveis amigos utilizou-se do mercado pornográfico para construir sua fortuna: ele facilitou o acesso de sites desse mesmo ramo aos sistemas de pagamento Visa e Mastercard.

Seu outro amigo de destaque, um magnata do comércio digital com uma clara preferência por Lamborghinis, foi preso por um crime financeiro cometido utilizando-se da rede da Mastercard.

Você deve estar pensando que a última situação é muito estranha, afinal o supervisor do controle de fraudes comerciais da Mastercard era um amigo íntimo de alguém que foi preso por cometer crimes usando os sistemas dessa mesma empresa. Para sanar essa dúvida e apontar uma explicação muito mais plausível para esse infeliz sarcasmo, um executivo de um banco europeu evidentemente corrupto, alegou que não só jantou com Paolucci, mas também que teve a ajuda dele para violar as regulações da Mastercard.

O fato é que segundo as especulações, o supervisor parecia cooperar com os seus processos fraudulentos. Entretanto, seria injusto apontá-lo como o único responsável pelas atitudes permissivas de empresas que exercem grande influência global: ele é só mais um.

Analisando as evidências

Uma pesquisa realizada pelo BuzzFeed News aponta que tanto a Mastercard como a Visa, realizam movimentações monetárias para empresas com extensos registros de fraude. Por serem empresas com notável relevância mundial, essas transações não questionam a confiabilidade de corporações evidentemente corruptas e acabam por contribuir para que mais clientes sejam enganados por mais tempo. Mas, aparentemente isso é irrelevante quando, independentemente da legalidade das vendas, recebe-se uma porcentagem sobre elas.

Ao analisar por um ano milhares de páginas de registros judiciais, relatórios investigativos confidenciais, gravações secretas, registros internos das empresas e mais de 120 entrevistas, a BuzzFeed News mostrou como a Mastercard e a Visa mantêm relações permissivas com empresas acusadas de enganar clientes, mentir para bancos, infringir a lei e cometer outros “pequenos delitos”.

Mesmo que essas duas empresas mantenham as promessas de expulsar golpistas de suas redes, elas voltam atrás quando ações precisam ser tomadas, já que alegam não ser obrigação delas bloquear criminosos e fraudadores de seus sistemas. Um executivo da Visa expôs a impopular opinião da companhia sobre o tema: não vale a pena bloquear os golpistas quando se pode burlar o sistema. A Mastercard parece compartilhar do mesmo pensamento, visto que realiza bloqueios esporadicamente sob pesada pressão popular.

Além disso, quando questionada sobre esses processos de bloqueio e suspensão, a companhia afirmou que cobra multas financeiras e suspende ou rescinde a licença de bancos envolvidos em incidentes específicos. 

Entretanto, se nem mesmo o supervisor do controle de fraudes sabia quais incidentes eram esses (ou se sabia apenas decidiu ignorar seu conceito técnico), não é o público que verá a exatidão desses processos.

Fraudes que dão lucro

De acordo com René Pelegero, ex-chefe de pagamentos globais da Amazon e fundador do Retail Payments Global Consulting Group, a Visa e a Mastercard criaram um sistema que tolera o risco e a fraude porque esses geram receitas adicionais. Desde que esses riscos e fraudes não impulsionem a pressão popular, não tem problema. 

Contradizendo Pelegero, tanto a Visa quanto a Mastercard reafirmaram seus incansáveis esforços e investimentos em tecnologias para garantir a segurança do cliente. Contradizendo as empresas, a realidade mostra que, em 2020, as fraudes de cartão de crédito representaram cerca de US$10 bilhões somente nos EUA, país onde as duas empresas processam, juntas, três quartos de todos os pagamentos com cartão de crédito.

Mais que números, esse montante expõe a vida de pessoas que foram vítimas de fraudes e que perderam recursos que provavelmente não serão indenizados.

Um exemplo disso é a empresa My Online Business Education, MOBE. Ela prometia segurança financeira, mas demandava resultados de vendas cada vez mais exigentes. A empresa, sinalizada como fraudulenta por seis bancos em quatro continentes diferentes, enganava os compradores com cursos que acabam por esgotar suas economias. Cientes de tudo isso, a Mastercard e a Visa continuaram facilitando os negócios da companhia ao invés de bani-la de suas redes.

E agora?

Mesmo que todas as informações apontadas nas investigações sejam de conhecimento público, dados informam que a Visa e a Mastercard estão tendo aumentos significativos de lucro.

A Mastercard lucrou  23% a mais em 2021 do que no ano anterior, e a Visa contemplou um aumento de 10% no faturamento durante o mesmo período. 

Enquanto isso, só no ano de 2021, 88.354 casos de fraude foram registrados pela Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos.

Aguardemos o fim das investigações.

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Atenção: Para analisar pedidos de cartões de crédito, as políticas internas das instituições financeiras levam em consideração o perfil financeiro do consumidor. Por isso, é possível que um pedido seja negado em uma instituição financeira e aprovado em outra, já que cada uma usa critérios próprios para avaliação.

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